Filosofia Antiga – “Os Pré-socráticos”

TALES e ANAXIMANDRO de MILETO

Também chamados de Filósofos da Natureza (Physis), estes pensadores foram muito importantes para a história do pensamento ocidental. Neste artigo vamos pontuar como, e porque, a sua contribuição foi considerada tão importante.

Em primeiro lugar, devemos pontuar que o pensamento pré-socrático busca compreender a natureza sem se valer de explicações mitológicas ou religiosas. Para o padrão de sua época essa busca pela origem de tudo, se mostra um avanço na autonomia do pensamento do homem diante da dependência de divindades e seres mitológicos, como era o padrão do pensamento da antiguidade.

As explicações que estes pensadores encontram em suas divagações intelectuais, foram atingidas, sem um método de pensamento único ou mesmo os modernos equipamentos que a tecnologia nos permite atualmente. Contudo, podemos observar nelas as origens daquilo que posteriormente orientou os pensadores modernos.

Às vezes pode ser difícil determinar a linha de argumento real que alguns pré-socráticos usaram para apoiar suas visões particulares. Enquanto a maioria deles produziu textos significativos, nenhum deles sobreviveu na forma completa. Tudo o que está disponível são citações de filósofos posteriores (frequentemente tendenciosos) e historiadores, e o ocasional fragmento textual.

Tales de Mileto (624-548 a.C.)

Atribui-se a Tales a afirmação de que “todas as coisas estão cheias de deuses”, o que talvez pode ser associado à ideia de que o imã tem vida, porque move o ferro. Essa afirmação representa não um retorno a concepções míticas, mas simplesmente a ideia de que o universo é dotado de animação, de que a matéria é viva (híloizismo). Além disso, elaborou uma teoria para explicar as inundações no Nilo, e atribui-se a Tales a solução de diversos problemas geométricos. Tales viajou por várias regiões, inclusive o Egito, onde, segundo consta, calculou a altura de uma pirâmide a partir da proporção entre sua própria altura e o comprimento de sua sombra. Esse cálculo exprime o que, na geometria, até hoje se conhece como teorema de Tales.

Tales foi um dos filósofos que acreditava que as coisas têm por trás de si um princípio físico, material, chamado arché. Para Tales, o arché seria a água. Tales observou que o calor necessita de água, que o morto resseca, que a natureza é úmida, que os germens são úmidos, que os alimentos contêm seiva, e concluiu que o princípio de tudo era a água. Com essa afirmação deduz-se que a existência singular não possui autonomia alguma, apenas algo acidental, uma modificação. A existência singular é passageira, modifica-se. A água é um momento no todo em geral, um elemento.

Principais fragmentos:

  • “…a Água é o princípio de todas as coisas…”;
  • “… todas as coisas estão cheias de deuses…”;
  • “… a pedra magnética possui um poder porque move o ferro…”.

Tales é apontado como um dos sete sábios da Grécia Antiga. Além disso, foi o fundador da Escola Jônica. Considerava a água como sendo a origem de todas as coisas, e seus seguidores, embora discordassem quanto à “substância primordial” (que constituía a essência do universo), concordavam com ele no que dizia a respeito da existência de um “princípio único” para essa natureza primordial.Entre os principais discípulos de Tales de Mileto merecem destaque: Anaxímenes que dizia ser o “ar” a substância primária; e Anaximandro, para quem os mundos eram infinitos em sua perpétua inter-relação.

Anaximandro de Mileto (611-547 a.C.)

Anaximandro viveu em Mileto no século VI a.C.. Foi discípulo e sucessor de Tales. Anaximandro achava que nosso mundo seria apenas um entre uma infinidade de mundos que evoluiriam e se dissolveriam em algo que ele chamou de ilimitado ou infinito. Não é fácil explicar o que ele queria dizer com isso, mas parece claro que Anaximandro não estava pensando em uma substância conhecida, tal como Tales concebeu. Talvez quisesse dizer que a substância que gera todas as coisas fosse algo diferente das coisas criadas. Uma vez que todas as coisas criadas são limitadas, aquilo que vem antes ou depois delas teria de ser ilimitado.

É evidente que esse elemento básico não poderia ser algo tão comum como a água.

Anaximandro recusa-se a ver a origem do real em um elemento particular; todas as coisas são limitadas, e o limitado não pode ser, sem injustiça, a origem das coisas. Do ilimitado surgem inúmeros mundos, e estabelece-se a multiplicidade; a gênese das coisas a partir do ilimitado é explicada através da separação dos contrários em conseqüência do movimento eterno. Para Anaximandro o princípio das coisas (o Arché) não era algo visível; era uma substância etérea, infinita. Chamou a essa substância de Apeíron (indeterminado, infinito). O Apeíron seria uma “massa geradora” dos seres, contendo em si todos os elementos contrários.

Anaximandro tinha um argumento contra Tales: o ar é frio, a água é úmida, e o fogo é quente, e essas coisas são antagônicas entre si, portanto o elemento primordial não poderia ser um dos elementos visíveis, teria que ser um elemento neutro, que está presente em tudo, mas está invisível.

Esse filósofo foi o iniciador da astronomia grega. Foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico totalmente.

De acordo com ele para que o vir-a-ser não cesse, o ser originário tem de ser indeterminado. Estando, assim, acima do vir-a-ser e garantindo, por isso, a eternidade e o curso do vir-a-ser.

O seu fragmento refere-se a uma unidade primordial, da qual nascem todas as coisas e à qual retornam todas as coisas.

Principais fragmentos:

  • “… o ilimitado é eterno…”;
  • “… o ilimitado é imortal e indissolúvel…”.

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